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PROTEÇÃO ANIMAL: UM DESAFIO COLETIVO, UMA RESPONSABILIDADE DE TODOS 

12/06/2026 | Por: Christian Baum - Jornalista Reg. Nº 0021854/RS



PROTEÇÃO ANIMAL: UM DESAFIO COLETIVO, UMA RESPONSABILIDADE DE TODOS 

Trabalhar pela causa animal dentro do serviço público não é simples. É uma missão que exige sensibilidade, planejamento, responsabilidade e, acima de tudo, equilíbrio.

De um lado, existem pessoas que enxergam os investimentos na proteção animal como um gasto desnecessário, um peso para os cofres públicos. De outro, estão aqueles que dedicam suas vidas aos animais, especialmente os protetores independentes, que muitas vezes entendem que os recursos destinados à causa ainda são insuficientes diante da enorme demanda existente.

A verdade é que nenhum dos dois lados está completamente errado.

A Administração Municipal trabalha com um orçamento dividido entre diversas áreas essenciais: saúde, educação, infraestrutura, assistência social, agricultura, meio ambiente, entre tantas outras. Todas possuem demandas legítimas e todas geram cobranças da população. Ao mesmo tempo, a proteção animal também é uma política pública importante, que cresce ano após ano e demanda cada vez mais atenção e investimentos.

Por isso, buscamos constantemente ampliar as ações voltadas ao bem-estar animal. A cada exercício, o orçamento destinado à área aumenta e novas medidas são implementadas. Mas todo avanço precisa respeitar limites legais, financeiros e administrativos.

Outro ponto importante que precisa ser compreendido é que existe um trâmite para cada situação. A Ouvidoria Municipal é o canal oficial para o registro de denúncias e demandas. Quando orientamos que uma ocorrência seja formalizada por esse meio, não estamos criando obstáculos ou dificultando o atendimento. Estamos cumprindo aquilo que a legislação determina e organizando o fluxo de trabalho para que cada caso receba o encaminhamento adequado.

A Secretaria Municipal do Meio Ambiente não atua apenas em situações envolvendo animais. Também recebe denúncias relacionadas à poluição hídrica, poluição sonora, descarte irregular de resíduos, desmatamento, degradação ambiental e diversas outras questões. Por isso, muitas vezes é necessário analisar e priorizar as ocorrências, avaliando quais animais ou situações apresentam maior risco e urgência.

Somente neste ano, já foram atendidos 21 cães e 8 gatos em situação de vulnerabilidade. Atualmente, ainda temos 2 cães e 6 gatos internados sob acompanhamento. Além disso, o Município custeia a hospedagem de 30 cães, todos eles submetidos previamente a intervenções médico-veterinárias. Em sua grande maioria, são cães de grande porte, que enfrentam maiores dificuldades para encontrar um lar definitivo.

Mas existe um resultado que nos enche de esperança: a adoção.

Em 2025, foram atendidos 75 cães pelo Município. Desses, 45 encontraram novos lares por meio da adoção responsável e outros 8 foram encaminhados ao canil da ONG APASSOS. Já neste ano, 8 animais foram adotados e outros 4 encaminhados para a ONG, demonstrando que, apesar dos desafios, muitas pessoas ainda escolhem abrir espaço em seus lares e em seus corações para transformar vidas.

E é justamente aqui que a participação da comunidade se torna indispensável.

Nenhuma política pública será suficiente se não houver adoções responsáveis. Cada animal adotado representa uma vaga liberada para que outro possa ser resgatado, tratado e acolhido. Mais do que isso, representa a oportunidade de uma vida digna, com carinho, proteção e pertencimento.

Adotar não é apenas levar um animal para casa. É assumir um compromisso que pode durar mais de uma década. É garantir alimentação, atendimento veterinário, cuidados, atenção e respeito. É compreender que animais não são objetos descartáveis, mas seres vivos que sentem medo, dor, alegria e afeto.

Por isso, quando falamos em proteção animal, precisamos compreender que a responsabilidade não pode recair exclusivamente sobre o Poder Público.

Ela é uma responsabilidade coletiva.

Cada tutor que mantém seu animal identificado através da microchipagem, vacinado, castrado e em segurança ajuda a reduzir o abandono. Cada cidadão que denuncia maus-tratos pelos canais corretos contribui para a fiscalização. Cada família que adota um animal oferece uma nova oportunidade de vida. Cada protetor, voluntário e apoiador fortalece uma rede que o Município sozinho jamais conseguiria sustentar.

A causa animal não pertence apenas à Prefeitura. Ela pertence a toda a sociedade.

Seguiremos trabalhando, dentro das nossas possibilidades e responsabilidades, para ampliar os atendimentos, fortalecer as políticas públicas e buscar cada vez mais lares para os animais que aguardam uma segunda chance.

Porque proteger os animais é também cuidar da comunidade em que vivemos.

Adote com responsabilidade. Transforme uma vida. E permita que essa vida transforme a sua também.